Felice e Bárbara. Cesare e Ester.
Hoje eu vim trazer um pequeno salto acima na minha organização genealógica, que eu descobri quando ainda bem nova. Relato essas memórias com total apoio nos meus antigos registros, compartilhados na época em outro portal. Fico feliz em ter guardado as informações. Lembrança é reencontro.

Posteriormente encontrei mais dados na internet, compartilhados por outros parentes-pesquisadores das nossas histórias. Parte das considerações em relação aos sobrenomes e origens, devo ao meu companheiro Gabriel. É um afago pensar que estou registrando para mim mesma tudo que eu gostaria de contar para a minha avó. Mas vamos lá...
Os avós italianos da minha avó Myrian, que chegaram de diferentes comunas da Itália, se casando e estabelecendo no Brasil, chamavam-se Ester e Menotti. Em outro registro contei sobre eles.
Quando eu tinha cerca de 14 anos - época em que eu pesquisava bastante sobre as nossas histórias, o meu tio-padrinho, Marcos, foi morar na Itália. Ficou por lá a trabalho por um tempo. Inicialmente, sugeriu que eu fosse junto, mas optei por ficar. Meu tio foi a Verona e isso me instigou a procurar detalhes mais concretos sobre os nossos antepassados. Mantivemos contato trocando informações. O meu tio era - dos familiares - a pessoa mais interessada nestes assuntos. As circunstâncias me despertaram ainda mais a curiosidade em subir na árvore genealógica. Foi aí que perguntei à minha avó se ela sabia os nomes dos bisavós dela - pais dos avós imigrantes italianos.
Obviamente, ela não fazia ideia. Essa era uma informação perdida no tempo, até então. Ela me explicou que seus bisavós provavelmente jamais chegaram a conhecer qualquer bisneto. Mas a informação que me redirecionou, foi a de que dois de seus tios estavam vivos, morando em diferentes lugares. Meus tios-bisavós.
Era aquele começo da era virtual onde a gente comunicava por e-mail, no máximo um perfil na rede "Orkut", mas não havia a facilidade para encontros virtuais que temos hoje. Meu primeiro caminho foi pesquisar em listas telefônicas. Liguei para um número que constava como Ottorino Sisti (o nome do irmão mais novo de minha bisavó), mas a pessoa que atendeu não o conhecia.
Revirei a casa em busca de alguma anotação, número, endereço; até que comecei a buscar por pessoas aleatórias de sobrenome "Sisti" na antiga rede social "Orkut". Foi aí que encontrei o neto da Bárbara, uma das irmãs de minha bisavó. A irmã mais velha, que carregava o mesmo nome da avó materna.
Expliquei o motivo da busca. Hoje contextualizo pensando nos tempos de início da era virtual em paralelo com a minha idade, uma adolescente ainda muito nova. Acho tudo muito inusitado.
Mas consegui o telefone.
Liguei para lá e ela mesma me atendeu. A Bárbara - "tia Babá" - das memórias antigas de minha avó. Saltou do imaginário saudoso diretamente para a voz dócil no telefone. Nos meus registros da época, conta: "Deve estar com seus 80 anos, aproximadamente, foi muito amável e completamente lúcida. Lembrou de minha avó e de minhas tias-avós gêmeas, Martha e Maria. Fui breve. Após um reconhecimento gentil e uma busca mais profunda na memória, ela lembrou dos nomes de seus quatro avós - paternos e maternos."
Chegamos na Itália.
Não pude ter essa conversa diretamente com minha bisavó, Zina, filha de imigrantes, nascida no Brasil. Mas a irmã dela, afetuosamente, fez as honras! E nisto, a mim, também consta o detalhe emocional de que muitos de nós não esquecemos nossas memórias mais antigas, sejam elas saudades vagas ou avós distantes.
Portanto, aos registros...
Os pais de Ester Cavallaro (bisavós de minha avó):
Felice Cavallaro (nome passado por Barbara: Felício Cavallari, provavelmente por causa do registro brasileiro. Nasceu em aproximadamente 1850 - Legnago - Verona, região de Veneto - Itália.)
Bárbara Laurenti (nasceu em aproximadamente 1855 - Legnano, comuna da região de Lombardia, província de Milão - Itália.)
Os pais de Menotti Sisti (bisavós de minha avó):
Cesare Rafaelle Sisti (nasceu em aproximadamente 1845 - Ferrara, região da Emila-Romagna, Itália.)
Ester Luigia Cavalini (nasceu em aproximadamente 1862 - Ferrara, região da Emilia-Romagna, Itália.) Ester também era chamada de "Esterina" (que seria o diminutivo de Ester, algo como "Esterzinha" no Brasil).
Encerro o resgate com uma mensagem de carinho à Bárbara Sisti que, além de trazer o início do caminho das buscas de informações em nossa linhagem genealógica, proporcionou um momento de passagem ao tempo, ao atender o meu telefonema. Barbara faleceu em 2010, pouco tempo após o nosso contato. Acho que muito do que entendo de mim segue na construção daquela Malu de 14 anos. Que as nossas histórias nos guiem a nós mesmos, sejam elas quais forem.
Boa autodescoberta!
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